Um documento publicado recentemente pela Rede de Investimento e Exportação do Paraguai (Rediex) apresenta uma visão geral abrangente e bem fundamentada da economia do Paraguai e das oportunidades de negócios e investimentos.

A Rediex, uma agência subordinada ao Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai, tem como objetivo promover investimentos locais e estrangeiros e apoiar as exportações, trabalhando em conjunto com o governo, empresas e diferentes tipos de organizações civis.

O relatório, intitulado "Paraguai, um país de oportunidades", baseia-se em dados de fontes tão variadas quanto confiáveis: o Banco Central do Paraguai, o FMI, o Banco Mundial, as principais agências de classificação de risco - S&P, Moody's -, a Fundação Getúlio Vargas, a FDI Intelligence, o Ministério da Fazenda, o Ministério da Indústria e Comércio, entre outros.

O panorama geral no Paraguai

Com uma população de sete milhões e meio de habitantes e uma taxa de alfabetização de 95%, o PIB do Paraguai atingiu mais de US$ 41 bilhões em 2022, com um PIB per capita de US$ 5.525.

O Paraguai tem mantido uma economia estável por várias décadas. Com uma taxa de inflação de 8,1% em 2022, teve um crescimento sustentado por um período prolongado, com uma média de 3,7% no período de 2006 a 2022, e uma projeção de 4,5% até 2023, de acordo com estimativas do Banco Central do Paraguai (BCP).

Principais indicadores econômicos do Paraguai
Principais indicadores econômicos do Paraguai

Em termos de composição do PIB do Paraguai, destacam-se: manufatura (19,7%), comércio (11,6%), serviços governamentais (9%), agricultura (7,8%), construção (7,4%).

Outros setores importantes, que refletem o dinamismo da economia paraguaia, são os serviços imobiliários (6,2%) e a intermediação financeira (5,4%).

É justamente o setor imobiliário que está passando por um boom de investimentos, com atores nacionais e estrangeiros, orientados para atender à crescente demanda e aproveitar todos os benefícios disponíveis (veja o artigo que publicamos recentemente neste link).

Em termos de vantagens financeiras, a capital paraguaia, Assunção, tornou-se um centro bancário atraente que muitos estrangeiros escolhem para proteger suas economias, bem como para estabelecer sua sede comercial (descubra esses benefícios neste link).

Exportações e investimentos

As exportações paraguaias passaram por uma evolução muito favorável em sua composição nas últimas duas décadas. Enquanto em 2002 elas eram amplamente dominadas pelo setor de energia (50%), em 2021 a participação desse setor caiu, em termos relativos, para 15%, enquanto os produtos primários passaram de 29% para 47%, as manufaturas agrícolas (MOA) cresceram de 17% para 26% e as manufaturas industriais (MOI) de 4% para 12%.

O Investimento Direto (ID) é outro indicador da evolução saudável da economia do Paraguai. De fato, de acordo com os cálculos do BCP, o saldo do Investimento Direto cresceu de US$ 659 milhões em 2002 para um pico de US$ 7.318 milhões em 2017, e permaneceu estável desde então.

Evolução do investimento direto no Paraguai
Evolução do investimento direto no Paraguai

Com relação aos setores que recebem investimentos diretos no Paraguai, destacam-se: comércio (US$ 1.154 milhões), intermediação financeira (US$ 1.145 milhões), processamento de petróleo (US$ 826 milhões), transporte (US$ 571 milhões), agricultura (US$ 443 milhões), comunicações (US$ 423 milhões), serviços imobiliários (US$ 363 milhões), entre outros.

O Brasil lidera o ranking de países de origem dos investimentos (US$ 904 milhões), seguido pelos Estados Unidos (US$ 892 milhões), Holanda (US$ 779 milhões), Espanha (US$ 589 milhões) e, em seguida, Chile, Uruguai, Ilhas Virgens, Argentina, México e outros.

Líder em negócios regionais

Em termos de Risco País, as principais agências de classificação de risco coincidiram em melhorar a classificação do Paraguai nos últimos quinze anos ou mais. Assim, enquanto a Standard & Poors (S&P) elevou sua classificação de "B" em 2008 para "BB estável" a partir de 2018, a Moody's passou de "B3" para "Ba1 positivo" de 2014 até o presente.

Em termos de clima de negócios, o Paraguai está no topo da classificação regional. Assim, a Fundação Getulio Vargas do Brasil coloca o Paraguai em primeiro lugar no ranking regional (com 114,7 pontos), seguido pelo Uruguai (108,2 pontos), Brasil (84,5), Bolívia (71,4) e, em seguida, Colômbia, Equador, México, Peru, Chile e Argentina.

O Banco Mundial, por sua vez, em seu índice Ease of Doing Business (2019), classificou o Paraguai em 6º lugar entre os países da região (125º no mundo), logo entre o Brasil (124º) e a Argentina (126º).

Classificação do clima de negócios no Paraguai
Paraguai no ranking de clima de negócios

De particular interesse para os investidores estrangeiros é o fato de que o esquema tributário do Paraguai é um dos mais simples e competitivos, de acordo com uma tabela compilada pela FDI Intelligence e pelo Banco Central do Paraguai (BCP). A FDI Intelligence é uma publicação do Financial Times sobre Investimento Estrangeiro Direto (IED).

Esquema de tributação do Paraguai
Esquema de tributação do Paraguai

Um fato que surpreende muitos é que o Paraguai é o líder regional absoluto na geração de energia renovável, com 100% da geração de eletricidade proveniente de fontes hidrelétricas. Ao mesmo tempo, tem o menor custo por KWH da região, de US$ 0,066. No meio da tabela está a Argentina (US$ 0,155), enquanto no extremo oposto está a Bolívia (US$ 0,175).

O excedente de eletricidade produzido pelas usinas hidrelétricas paraguaias de Itaipu e Yacyretá é exportado para o Brasil (78%) e para a Argentina (22%), tornando o Paraguai um dos maiores produtores e exportadores de energia renovável do mundo. De fato, a eletricidade é o terceiro maior produto de exportação do país.

Incentivos ao investimento

O relatório da Rediex destaca os incentivos para investimentos nacionais e estrangeiros.

Um dos destaques é o Regime Maquila, voltado para a produção de bens e serviços para exportação:

  • Imposto único de 1% sobre o valor final dos bens/serviços produzidos.
  • Suspensão de tarifas sobre importações de materiais, maquinário e outros insumos necessários.
  • Recuperação do IVA, como um crédito fiscal, na compra de mercadorias e serviços.
  • Isenção de imposto sobre remessas de renda e dividendos para o exterior.

A chamada "Lei 60/90", por outro lado, estabelece incentivos fiscais para investimentos de capital nacional e estrangeiro. Essa legislação estabelece isenções para investimentos em diferentes áreas. Assim, os projetos beneficiários gozam de isenções (0%) em:

  • Tarifas sobre importações de bens de capital (máquinas e equipamentos).
  • Imposto sobre valor agregado (IVA) sobre bens de capital (dentro e fora do país).
  • Dívida: imposto sobre remessas e pagamentos de juros (para investimentos acima de US$ 13 milhões).
  • Lucros: imposto sobre remessas de dividendos e lucros (para investimentos acima de US$ 13 milhões, por dez anos).

Outros incentivos destacados no relatório da Rediex são:

  • Regime de matérias-primas: permite a importação de matérias-primas e insumos com tarifa alfandegária de zero por cento quando for demonstrado que eles são usados como tal em seus próprios processos de produção e se não houver produção nacional desses insumos.
  • Regime Nacional de Produtos e Empregos: a Lei 4558/11 concede uma margem de preferência para produtos e serviços paraguaios em compras públicas.
  • Invariabilidade da alíquota do imposto de renda para empresas por um período de até dez anos, contados a partir do início das atividades da empresa, com a possibilidade de estender o período para projetos excepcionais.
  • Regime especial para exportação de parte ou da totalidade dos bens produzidos. As empresas podem manter um percentual de moeda estrangeira no exterior, quando necessário para o pagamento de obrigações ou para o cumprimento da remessa dos lucros gerados pelos investimentos.
Vantagens de investir no Paraguai
Vantagens de investir no Paraguai

O relatório da Rediex inclui muitos outros dados, estatísticas e tabelas: a carga tributária para empresas estrangeiras; o regime trabalhista; incentivos para o regime automotivo; incentivos para projetos com Participação Público-Privada (Lei PPP); o Regime de Zonas Francas; o Mercado Ampliado do Mercosul e outros acordos comerciais, tanto multilaterais quanto bilaterais; e muitos outros.

Se você quiser acessar o relatório completo da Rediex, faça o download em este link.